2 de jul. de 2012

10 discos para entender o Punk 77


Quem criou o Punk? Punk é som, música ou atitude? Qual o marco zero do estilo?
Muitas perguntas pairam sobre o rótulo mais representativo das manifestações sociais do mundo da música, sabe-se que a semente foi concebida nos idos dos anos 60, mas teve seu auge na década seguinte, com vários debuts sendo lançados, de bandas que entraram pra história como marcos do estilo, tanto nos Estados Unidos, quanto na Inglaterra. Assim criou-se o Punk 77 (ano do apogeu do estilo), com álbuns simples e direto, que foram base de vários outros subgêneros, do rock ao metal. 
Agora o blog lista 10 álbuns clássicos e obrigatórios para entender o estilo.



Buzzcocks – Another Music in a Different Kitchen (1978)
Primeiro disco da banda inglesa que fez turnês conjuntas com os Sex Pistols, diferenciava pelas letras, que não falavam de revoltas, e sim de sentimentos.



Ramones - Rock to Russia (1977)
Clássicos como Rockway Beach, Sheena is a Punk Rocker, Surfin’Bird, I Don’t Care, Ramona, We’re a Happy Family e muito mais, parece mais uma coletânea da banda mais famosa do Punk Rock.


Stiff Little Fingers – Inflammable Material (1979)
Ouça esse discaço e entenda de onde vem a influência de 9 entre 10 bandas da nova geração punk e hardcore surgidas nos anos 90 até hoje.


Bad Brains - Bad Brains (1982)
Adeptos da religião rasta, esses americano são considerados os criadores do hardcore e da junção do heavy metal com punk.


Wire – Pink Flag (1977)
Sucesso de crítica mas não de público, era conhecido como um Ramones progressivo, teve seu reconhecimento com o tempo e é presença garantida nas listas dos melhores discos de punk de todos os tempos.


The Clash – London Calling (1979)
A banda mostrou que punk não era somente um estilo de músicas rápidas formadas em cima de poucos acordes, misturando ska e reggae ao punk, gravou um clássico do rock.


Patti Smith – Horses (1975)
A rainha não podia ficar de fora, o debut junto com o álbum Easter de 78 são os discos obrigatórios dessa americana que varia entre o punk e o garage rock.


Sex Pistols – Never Mind the Bollocks, Here’s the Sex Pistols (1977)
Multiplatinado disco da polêmica banda inglesa, clássicos da primeira a última faixa. Manifesto sonoro explícito.


The Damned – Damned, Damned, Damned (1977)
Com vários álbuns interessantes na discografia, o primeirão se sobressai por mostrar uma banda afiada que marcava seu nome na calçada da fama do punk.


Dead Kennedys – Fresh Fruits for Rotting Vegetables (1980)
O hino emblemático do estilo vem nesse disco, California Uber Alles, alusão a primeira estrofe do antigo hino nacional alemão.


28 de jun. de 2012

Mais quatro ótimos discos de 2012

E vamos lá com mais algumas interessantes indicações que possivelmente entrarão nas listas de final de ano. Baixe, compre, empreste, roube, mas não deixe de ouvir!


Dr. John - Locked Down
O caldeirão sonoro desse tiozão maluco de New Orleans sempre foi bastante recheado de blues, funk, R&B, pop e rock, sendo esse último predominante no novo álbum, talvez por culpa da produção que ficou a cargo do guitarrista e vocalista da ótima banda Black Keys, Dan Auerbach. Discaço que entra no toca discos e não tem pretensão alguma de sair.


Mark Lanegan Band - Blues Funeral
Sétimo álbum do vocalista da extinta Screaming Trees, uma das grandes bandas da época do Grunge. Com um estilo de cantar inconfundível, esse americano de Seattle lança um álbum introspectivo com doses fortes de blues, rock e pitadas eletrônicas em faixas isoladas, um tanto quanto diferente dos anteriores. Belíssimo disco.


Leonard Cohen - Old Ideas
O trovador canadense lança disco de inéditas após oito longos anos e depois de um lindo álbum duplo ao vivo em Londres. Está tudo ali, o vozeirão, o conteúdo das letras, o instrumental, tudo na peculiaridade desse que já é uma das figuras mais importantes do folk rock mundial. Melodias grudentas fazem do disco um sucesso de vendas por onde foi lançado. Obrigatório.


Tedeschi Trucks Band - Everybody's Talkin'
Magnífica banda de onze super instrumentistas que lançou um dos melhores álbuns de 2011 e fez um super show no Brasil, durante o SWU. Lança agora um duplo ao vivo mostrando porque deixou de ser revelação e hoje é uma realidade. Contando com o casal Susan Tedeschi e Derek Trucks (ex-Allman Brother Band), que tem carreiras solo bem interessantes, a banda faz seu blues-rock característico na melhor forma possível.


26 de jun. de 2012

10 discos para conhecer o KRAUTROCK

Krautrock é a denominação dada a esse estilo musical vindo da Alemanha nos anos 70, algo entre o rock progressivo, o psicodélico e o experimental, ou todos de uma só vez, seja utilizando instrumentos habituais ou com adição de elementos eletrônicos. Nesse post o blog vai dar dicas de 10 álbuns para os iniciantes que querem se aventurar nesse rico universo musical. Alguns podem discordar de certas indicações, por não ser o melhor álbum ou o disco clássico de tal banda, mas procuramos colocar o título mais acessível (ou por mero desconhecimento de toda a discografia de algum grupo). Para os marinheiros de primeira viagem é um prato cheio.
  

Triumvirat - Spartacus (1975)
Terceiro e melhor disco da banda, fãs de ELP se identificam com o som cheio de piano e solos de Moog. Melodias certeiras e letras cheias de histórias temáticas. Ótimo pra iniciar a pesquisa krautrockiana!





Can - Tago Mago (1971)
Um clássico do krautrock e do hard setentista. Som mais direto e garageiro, baterias com loops psicodélicos fazem a festa no quarto disco dessa banda de Colônia, obrigatório.


Neu! - Neu! (1972)
Qualquer um dos três discos setentistas desses caras podiam estar na lista, ficamos com o poderoso debut. Viagem sonora, simplicidade minimalista e experimentações são a alma desse disco, arrisque!


Lucifer´s Friend - Lucifer´s Friend (1970)
Outro que é presença obrigatória nas listas de hard setentista. Hard Rock da melhor qualidade com  peso anunciando o que viria a ser chamado de Heavy Metal.


Kraftwerk - Autobahn (1974)
Quarto disco da influente banda de synthpop. Foi o primeiro álbum a atingir as paradas mundiais e levar o som eletrônico da banda para outras fronteiras.


Birth Control - Hoodoo Man (1972)
Disco obrigatório dessa bandaça, uma das melhores que o país já produziu nos anos 70. Uma mistura virtuosa de guitarra e órgão Hammond com uma cozinha potente que tem ajuda de uma percussão afiada.


Tangerine Dream - Phaedra (1974)
Essa banda você precisa de uma nova vida pra poder ouvir toda discografia já gravada por eles, devido a grande quantidade de álbuns de estúdio, ao vivo, eps e trilha-sonoras existentes. Um transporte por outras dimensões é o que proporciona essa banda. Tecladistas a todo vapor se revezando nas loucuras instrumentais impostas pelo som dos caras, pra ouvir com camisa de força.


Faust - IV (1973)
Com um som mais experimental, a banda já gravou álbuns excepcionais. Esse disco recebeu criticas e notas máximas em todo meio especializado.


Amon Duul II - Yeti (1970)
Lançado originalmente em LP duplo, mesclando músicas curtas com longas suítes progressivas. O grupo surgiu da dissidência da antiga Amon Duul. Psicodelismo  de extremo bom gosto.


Cluster - Soweisoso (1976)
Projeto experimental eletrônico desses malucões de Berlim. Os discos eram diferentes entre eles, mas todos com um sabor avant-garden no recheio.


21 de jun. de 2012

Lançamentos da semana (17 a 21 de Junho)

 The Allman Brothers Band - A & R Studios: NY 26th August 1971

 Best Coast - The Only Place

 Bon Iver - Itunes Session

 Fiona Apple - The Idler Wheel...

Kasabian - Live!

 Linkin Park - Living Things

Lita Ford - Living Like a Runaway

 Los Campesinos - Heat Rash #3

 Manowar - The Lord of Steel

 Maroon 5 - Overexposed

Nile - At the Gates of Sethu

 The Flower Kings - Banks of Eden

The Offspring - Days go By

Turbonegro -  Sexual Harassment

The Walkmen - Heaven

19 de jun. de 2012

Será?



Boatos de que o novo vocalista do Angra seria Bruno Sutter, o Detonator, da banda-paródia Massacration, estão cada vez mais fortes. Recentemente o vocalista subiu ao palco e cantou algumas músicas com Felipe Andreoli e Kiko Loureiro, entre elas "Nothing to say". Bruno integra as bandas Death Tribute, tocando covers da ótima banda do falecido Chuck Schuldiner e assumiu temporariamente os vocais da Children of the Beast, provavelmente uma das melhores bandas covers do Iron Maiden no Brasil.

Preconceitos a parte, o cara manda bem em cima do palco e é dono de uma voz privilegiada, pois como já foi dito, ele canta em duas bandas de vertentes distintas do metal, e dá conta, e muito, do recado, duvida? Busque videos no Youtube e confira. Outros nomes como Renato Tribuzy, o favorito aqui da casa, e André Matos também estão cotados para assumir o posto que Edu Falaschi deixou vago há mais ou menos um mês.


Fonte: Whiplash

13 de jun. de 2012

Box do Allman Brothers Band

Uma das melhores bandas do rock do anos 60, e ainda na ativa, lança uma coletânea luxuosa em formato digipack com 50 músicas distribuídas em 3 discos. Os maiores clássicos da banda estão presente no box, imperdível para quem não conhece a banda ou colecionadores completistas.


Disco 1
1. Dreams
2. Don’t Want You No More
3. Whipping Post
4. Midnight Rider
5. In Memory of Elizabeth Reed
6. Revival
7. Don’t Keep Me Wonderin’
8. Hoochie Coochie Man
9. Statesboro Blues
10. One More Ride
11. Drunken Hearted (Live)
12. Melissa
13. Trouble No More
14. Little Martha
15. One Way Out
16. Blue Sky
17. Wasted Words
Disco 2
1. Jessica
2. Southbound
3. Ramblin’ Man
4. Pony Boy
5. Can’t Lose What You Never Had
6. Win, Lose of Draw
7. Crazy Love
8. Just Ain’t Easy
9. Sail Away
10. Need Your Love So Bad
11. Angeline
12. Straight From the Heart
13. Good Clean Fun
14. Low Down Dirty Mean
15. All Night Train
Disco 3
1. Shapes of Things
2. Crossroads
3. Cast Off All My Fears
4. Ain’t No Good To Cry
5. Goin Down Slow
6. Midnight Rider
7. These Days
8. Queen of Hearts
9. Long Time Gone
10. Highway Call
11. Cryin’ Shame
12. Brightest Smile In Town
13. Good Time Feeling
14. I’M No Angel
15. It’s Not My Cross To Bear
16. Before the Bullets Fly
17. Duane’s Tune
18. The Dark End O Fthe Street

12 de jun. de 2012

Seis melhores discos do primeiro semestre de 2012, na opinião do Blog.

Repetindo os anos anteriores, o mundo da música está fervilhando em criatividade e bom gosto. Ótimos discos sendo lançados mensalmente e já figurando como candidatos a melhores nas listas especializadas.  Sem muitos mimimis segue os seis melhores álbuns do primeiro semestre, tem pra tudo e pra todos. Não resenhar os discos, apenas curtos comentários, ouçam e tirem suas próprias conclusões.

Jack White - Blunderbuss
O cara já pode ser considerado o grande nome da música dos últimos anos, desde projetos em bandas próprias, paralelas, produções, etc. Dono da gravadora Third Man Records, onde prioriza o lançamento em vinis coloridos e limitadíssimos, Mr. White lança um álbum que vai agradar a gregos e troianos, com um leque enorme de estilos dentro da obra.

Michael Kiwanuka - Home Again
Soul da melhor safra, o cantor britânico de 24 anos lança seu debut e é elogiado por críticos de todo o mundo. Dono de uma voz imponente, lançou 3 singles via iTunes ano passado e início desse ano. Se 2012 foi o ano de Adele, esse ano tem tudo pra ser o ano de Michael. Incrível como o neo-soul vive uma fase estonteante, com figuras como Adele, Charles Bradley e Sharon Jones lançando discos sensacionais nos últimos anos.

Slash - Apocalyptic Love
Depois de um competente disco em 2010, o guitar hero lança um ótimo disco conseguindo até tornar o ex vocalista do Alter Bridge bom de ser ouvido. Tirando todas as nuances que seu instrumento pode apresentar, Slash demonstra a mesma pegada rocker e a mesma técnica apuradíssima de outrora. Discaço que vai ficar anos na cabeceira dos roqueiros.

Alabama Shakes - Boys & Girls
A mais nova revelação musical é essa banda americana. Eles não tem a menor prepotência, vontade ou audácia de salvar o rock, seja lá o que isso quer dizer, mas fazem um blues-rock, ora southern, ora garage, ora soul da melhor qualidade possível. Uma pequena obra prima e um tapa na cara dos corneteiros saudosistas de plantão.

Rush - Clockwork Angels
Não tem muito o que falar de uma banda que não precisa provar mais nada pra ninguém e que continua lançando bons petardos no mercado. Vigésimo disco de estúdio da banda canadense. E pra quem for chiar dizendo que nada supera os discos clássicos, os mais antigos, blá blá blá, parem de chorar e ouçam o ábum e aproveitem para ir atrás dos outros discos mais recentes.

Soulfly - Enslaved
Será que Max Cavalera lançou o melhor disco da carreira da banda? Se a intenção não foi essa, o cara estava bem inspirado na criação do oitavo álbum do Soulfly, que fala por si só. Pedradas do início ao fim, se juntando ao Machine Head e ao Mastodon como as melhores bandas de metal atualmente.

25 de abr. de 2012

Coração Envenenado: Minha vida com os Ramones

Que montar uma banda é o sonho de 10 entre 11 adolescentes é óbvio, a idéia também é a mesma: fazer multidões cantarem as canções da banda e ser idolatrado por outros adolescentes em fase de secreção hormonal. Viajar com os melhores amigos, ganhar cifras incontáveis e ser dono do mundo. Mas na vida real é totalmente diferente. Prova concreta disso é o que Douglas Colvin, o Dee Dee Ramone, o cara que formou a banda que já é uma entidade dentro do Punk Rock. O cara que deu o nome a banda. Fã de Beatles, Dee Dee usou o sobrenome o qual Paul McCartney usava quando fazia seus shows secretos, Ramon.

Uma biografia bem direta, que mostra que, muito pelo contrário, o Ramones não era uma família feliz, como dizia a letra de We’re a Happy Family, e sim uma banda que, além de não fazer questão alguma de manusear seus instrumentos com técnica, tinha a sorte de ter dois compositores criativos, Dee Dee e Joey. Mas a briga e o descontentamento eram gerais, Johnny e Marky odiavam Joey e Dee Dee, o último por sua vez, odiava Joey, e os quatros odiavam o empresário, Monte Melnick. Os Ramones nunca ficaram ricos, continuavam a morar em pulgueiros em Nova York, e a usar drogar diariamente.

 Dee Dee foi preso, teve overdoses e alucinações, foi internado em clínicas de reabilitação, manicômios, freqüentou A.A’s, presenciou seus melhores amigos perdendo a briga para as drogas, qualquer se sejam elas, e falecendo um a um diante de seus olhos. Quis parar, mas nessas horas quem manda é o corpo, e o corpo queria cada vez mais. Quando fazia uso de medicamentos, viciava nesses. Tentou mudar para outros países, mas parecia que a má sorte o acompanhava onde fosse e acabava voltando para o mesmo bairro periférico e traiçoeiro o qual cresceu nos Estados Unidos, na Big Apple. Saiu da banda, mas continuou escrevendo e vendendo direitos autorais de letras que se tornaram clássicos do grupo, dinheiro este das vendas virava combustível para a cabeça de Dee Dee poder agüentar mais um dia de vida, quando não era usado para pagar fiança em suas prisões.

 Ele fala sobre as letras que escreveu e não recebeu créditos e quais álbuns ele nem sequer participou e foram lançados com seu nome entre os integrantes. Foi em Buenos Aires, que Dee Dee conseguiu finalmente mudar seu estilo de vida, mas sem antes se decepcionar mais uma vez com os ex-companheiros, que foram fazer alguns shows na capital argentina. O que nos leva a crer que o backstage da música é muito diferente da visão superficial que nós temos dos nossos ídolos e artistas que aprendemos a admirar.

O livro prende e surpreende o leitor e fãs da banda, e conta, como o cara mais consciente do grupo, era ao mesmo tempo um dos mais perdidos artistas do Punk, se isso é o significado de Rock n’Roll, Dee Dee Ramone levou ao pé da letra, até perder a luta contra as drogas e falecer em 2002, vítima de uma overdose de heroína.

30 de mar. de 2012

Nice to meet you, Jeff.


Sempre fui atraído por bandas e artistas que gravaram somente uma obra, sou da opinião que ao conceber apenas um disco, o artista confere sua sinceridade e admite que usou todo o estoque criativo (ou não) naquele álbum, então, geralmente esses são de extremo bom gosto.
Há alguns meses atrás li um texto sobre um músico o qual eu não conhecia, Jeff Buckley. Apostei todas minhas fichas, e sem baixar as mp3 (argh...) do único álbum do cara, "Grace", resolvi adquirir o disco na minha última viagem ao exterior.
O disco ficou na fila de várias outras aquisições, mas ele soube esperar sua hora, e quando esta chegou...


O que é aquilo? Que lirismo, que expressão de sentimentos, que interpretação peculiar, tudo que uma música pede o cara sabe dar. Faixa após faixa eu ia me perguntando onde eu estava desde 1994, quando foi lançado o disco. Tudo bem que a internet ajuda nas pesquisas musicais, e naquela época, blá, blá, blá...
Ouvi o disco antes de dormir e vou fixar meus próximos dias nessa gema musical, mas se na primeira audição fez esse estardalhaço...